quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Sou o próprio tempo (Paulo Roberto Gaefke)
Sou o próprio tempo que marca em mim. O tempo de ser eu mesmo, de enfrentar meus conflitos, conviver com meus fantasmas, Sim, quem não os tem?
Sou horas, minutos e segundos, que, às vezes, são tão marcantes quanto a efemeridade do que ainda não aconteceu.
Sou o próprio tempo que deixa sinais, pequenos riscos na alma, lembranças que vão me transformando. Sei onde piso, apesar do medo; sei onde vou, apesar da incerteza.
Sou eu mesmo quem se arrisca em amores frustrados, empregos cansativos, amigos nem tão amigos assim e pessoas vazias, que me deixam entediado.
Sou o próprio tempo e não sou dono de nada, nem do meu tempo, que me cobra tanto coisas que fiz e que ainda tenho que fazer. Quantas delas poderei aproveitar? O que é realmente importante? Não sei... O tempo, quem sabe, um dia dirá.
Por enquanto, quero viver e ser dono de alguns minutos. Tempo suficiente para me arriscar em um novo amor, porque sem amor não vejo graça no tempo, que se arrasta lentamente na solidão do meu quarto.
Por isso, sou o próprio tempo, e desejo que o tempo que me resta seja feito de sonhos, recheados com esperanças, e delicadamente coberto com amor, como se o tempo fosse um doce, um desejo de infância, um tempo de ser feliz.
Escrito por Mary
|
|